Pular para o conteúdo principal

Dandara a Guerreira de Palamares

Quando eu era criança, tanto na escola, quanto no entretenimento, ninguém me contou sobre as mulheres negras quilombolas que lutaram contra a escravidão no Brasil. Eu não sabia que elas existiram até me tornar adulta, quando, depois de ouvir uma amiga mencioná-las, resolvi pesquisar por conta própria em livros e sites disponíveis.
aslendasdedandara
Nos livros, não as encontrei. Talvez, se eu tivesse mais dinheiro e se uma maior diversidade de livros estivesse ao meu alcance – algo que inclui o material que está a venda nas livrarias e nos sebos, ou mesmo o material nas bibliotecas -, eu pudesse ter lido algo sobre as histórias dessas mulheres.
Entre todas as mulheres negras que descobri depois de crescida, Dandaracontinua sendo aquela que mais me inspira e, por isso, transformei em personagem principal do meu primeiro livro: As Lendas de Dandara. O fato de ter um status de lenda, das informações a seu respeito serem poucas e até mesmo de existência controversa, é algo que me instiga. É como se Dandara fosse a junção de todas as outras guerreiras e líderes que foram mulheres fortes, corajosas e que transformaram a sociedade. E, por isso, quero conhecê-la mais profundamente.
Seria incrível se as escolas falassem sobre Dandara, se ela fosse apresentada como referência da luta das mulheres negras no período colonial e escravista. A partir dela, outros nomes imprescindíveis surgiriam, tais como Tereza de Benguela, que foi rainha de um quilombo forte e muito bem organizado, com um sistema político de sucesso e com atividades importantes de agricultura, produção de tecidos e também produção de armas.
Assim como Dandara, muitas outras mulheres negras foram as responsáveis por traçar estratégias de batalhas e revoltas, foram líderes firmes e agiram com inteligência e coragem em prol daqueles que seguiam suas lideranças. E se todas as crianças e adolescentes aprendessem que essas mulheres existiram, muita coisa poderia ser diferente em nosso país, porque muita coisa seria diferente na mente desses alunos e até mesmo dos professores.
Se toda criança conhecesse Dandara e, por consequência, todas as outras líderes negras da nossa história, grandes lacunas seriam preenchidas. A representação é, sem dúvida, uma das mais importantes, uma vez que os jovens negros ainda crescem sem aprender que a população negra brasileira e seus ancestrais no continente Africano foram pessoas incríveis, inteligentes e capazes e que desenvolveram muitas coisas para o bem da humanidade. Algo que, na verdade, todas as pessoas precisam reconhecer.
Além disso, fazendo justiça à história e contribuição da África e de seus descendentes, uma lacuna na autoestima é sarada. Com isso, o combate ao racismo avança, a conscientização aumenta e nós podemos nos tornar uma sociedade menos racista, onde ser negro não seja algo associado com qualidades ruins e inferioridade, mas com uma cultura repleta de heroínas inspiradoras e de feitos admiráveis.
A história do Brasil ensinada nas escolas ainda esconde Dandara; os livros nas grandes livrarias também não a mostram. Mas se ela não está acessível, se sua história não está disponível para ser conhecida, como as crianças e adolescentes poderão descobrir tudo o que ela representa?
Dandara dos Palmares, cercada por fatos e por lendas, é uma mulher em quem todas as pessoas devem se inspirar; ela é importante para discutir a escravidão em sala de aula e para debater o machismo em sociedade. Ela é importante para combater o racismo na nossa cultura. Dandara dos Palmares é fundamental para o mês de novembro e para a consciência negra, tanto quanto é importante para nossa educação e imaginação. É por isso, e por muitas outras razões, que toda criança merece conhecer Dandara.

Adquira o livro As Lendas de Dandara:
www.aslendasdedandara.com.br
http://www.revistaforum.com.br/questaodegenero/2015/11/09/que-toda-crianca-conheca-dandara/

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Sobre Atribuição 2018: Mais um processo de tribulação

Professoras e Professores,

Não bastasse a carga de maldades despejadas sobre nossa categoria nos últimos anos, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, reafirma sua "Política Maquiavélica" de nos dividir por Categorias, para nos enfraquecer. A "reedição da provinha" é mais uma demostração da disposição desse governo em desvalorizar cada vez mais nossa profissão.
Importante estarmos atentas para o avanço do fechamento de salas de aulas (o período noturno em algumas regiões já esta quase instinto) com a diminuição de salas de aula Efetivos e Fs estão ameaçados de não conseguirem garantir suas jornadas e muito menos constituir carga suplementar sendo forçados ao acumulo como Categoria O,  o que vai possibilitar a extinção de milhares de contratos dos Categoria O de 2014 que entrarão na famigerada "duzentena". 
Para completar o desmonte da Educação Pública teremos a implementação no estado da absurda Reforma do Ensino Médio. O Caos anunciado para 2018 é …

A APROFFIB apoia e convida a todos para GREVE GERAL no dia 30 de junho

LUTAR É PRECISO!!!
A APROFFIB apoia e convida a todos para GREVE GERAL no dia 30 de junho
"Morrer ou deixar morrer" Não é querer fazer alusão as ideologias nazistas ou a qualquer tipo de ideologias, nem é ser anarquista, mas pelo contrário, é suscitar uma atitude crítica na sociedade em que vivemos. Recordarmos Nietzsche quando diz que nos tornamos passíveis diante dos problemas sem questionar ou lutar, enfim quando fugimos dos nossos direitos, transferimos o nosso poder a outras pessoas. Assim nós o perguntamos “morrer, ou deixar morrer”? Morrer é lutar pelos seus direitos, é lutar pela vida é fazer algo de sua existência, e deixar morrer é simplesmente cruzar os braços para tudo, para sociedade e principalmente para esse governo que nos massacra e tira de nós trabalhadores o direito à vida digna, o direito ao trabalho digno e principalmente o direito de se aposentar. E hoje, o que estamos fazendo? Durante o nazismo, o povo alemão matou e deixou morrer “por não saber o que ac…

RESPOSTA AO ARTIGO DO JORNALISTA PAULO CHAGAS: Sobre a história do Brasil

Por Chico Gretter: Ontem recebi um relato de um tal jornalista Paulo Chagas que elogiava os generais do regime militar e atacava o Lula, comparando a abnegação dos militares com o oportunismo do petista e acusou os "brasileiros" de profunda ignorância sobre a nossa história... Não entrando em questões pessoais de quem é mais bonito, fiz a seguinte reflexão:                                                                                                                   RESPOSTA AO ARTIGO DO JORNALISTA PAULO CHAGAS: sobre a história do Brasil, como professor de História que sou, devo discordar de várias afirmações do jornalista Paulo Chagas sobre a época do regime militar. Os generais que governaram o país por 21 anos podem ter sido honestos, mas a política de alinhamento de nossa economia ao capitalismo internacional/$USA que ainda domina a América Latina sempre provocou uma dependência muito grande de nossos países aos EUA, sem falar nos milhares de presos, torturados, exil…